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04/02/2012 / Filipe Aguiar

Eu não atiro mais o pau no gato

Eu tenho calafrios na espinha sempre que escuto a versão politicamente correta de “Atirei O Pau No Gato”, não sei exatamente o porquê. Talvez seja só a hipocrisia da existência dessa coisa que a cultura do politicamente correto enfia goela abaixo das nossas crianças.

O povo brasileiro não é bem conhecido pelos bons tratos com os animais: vez ou outra aparece na mídia um caso de violência contra os coitados dos irracionais, além das péssimas condições da maioria das fazendas que criam animais para o abate. Aí muda-se uma letra de uma música infantil. E eu não paro de me perguntar: porque?

É assim tão prejudicial deixar as crianças cantarem “atirei o pau no gato”? Eu cresci ouvindo isso e, juro, nunca relacionei a música ao ato de maltratar os animais. Na minha cabeça os versos só precisavam rimar e grudar na minha cabeça. E até que eu sou um ser adulto decente e que gosta dos animais…

Mas, já que a corrente é essa, deveríamos educar os pequenos em todas as ocasiões, então já que estamos em época de carnaval, por que não fazer umas mudanças?

Comecemos pelo Rei Momo, com a crescente preocupação com a obesidade infantil, não é legal associar uma figura notadamente obesa ao espírito de alegria que o carnaval representa. O Rei Momo do novo milênio deve ser magro e saudável, dando preferência à comida orgânica.

Mas não fiquemos só por aí, já que as marchinhas e frevos estão recheados de abusos contra a moral e os bons costumes. E o que mais grita “é carnaval” que o Galo da Madrugada com seu “Ei pessoal, ei moçada”? E essa música deve continuar a ser cantada aos quatro cantos (hã? Hã? Hã?) contanto que o verso que fala de “galo de briga” seja substituído por “o galo, que não é de briga! Pois a briga de galos é ilegal no Brasil”.

“Madeira-de-lei, que cupim não rói” não é eco-friendly, vamos substituir essa matéria prima por alguma coisa reciclada. Além disso, vamos tirar quaisquer referências à bebidas alcoólicas, então nada de “tomar umas e outras e cair no passo”.

Eu não sei, não, mas no dia que isso acontecer, eu vou pra lua. Afinal, não é privilegio: foguete já tem.

25/01/2012 / Filipe Aguiar

“Estudante negra, lésbica, judia, deficiente física e portadora de síndrome de down é estrangulada, esfaqueada, estuprada e exorcizada por policial homofóbico, feio, bobo e chato”

A Torre de Cristal

Achei que não ia conseguir terminar de escrever o título do post. Acho, inclusive, que é bem capaz dele ficar maior que o texto em si. O assunto ainda está relacionado com a confusão que rolou no protesto dessa semana. E bem relacionado com o post de ontem. E relacionado também com o “falo da sociedade patriarcal”, esta anaconda giratória opressora e maléfica que é responsável por todos os males do mundo moderno. Acho que até é culpada pelo governador, quem sabe?

Ontem li este texto e senti um misto de incredulidade e diversão. Sinceramente não sei dizer qual das duas sensações prevaleceu, mas posso afirmar com toda a certeza que eu ri demais. Se você ainda não leu o referido texto, leia. Vale a pena, eu espero…

Pronto?

Como homem, eu achei muito engraçado a postura femi-nazi da(s) meninas¹ por trás do site. Se eu fosse mulher eu ficaria envergonhada: tanta luta por igualdade de direitos, tantos sutiãs queimados pra a gente chegar no terceiro milênio e um bando de meninas¹ com um problema sério de inveja do pênis (Freud explica) sair atirando pra todos os lados, num grito de auto-afirmação desnecessário.

Denominado “Maçãs podres, grupo revolucionário de intervenção feminista” o grupo de meninas¹ não se contenta apenas em “defender a causa feminista” como também “lutam” contra o racismo e a homofobia. Ah, e a favor do aborto. Mas o que fica mais claro no repertório textual orbita em volta do ódio ao sexo masculino, com palavras como “patriarcado” e “falo” aparecendo quase que em todo texto.

Battle Angel Alita - Last Order

Eis uma representação do patriarcado

O texto, no entanto, me deixou com algumas dúvidas que não consegui sanar, já que tentei deixar um comentário lá e não consegui. Talvez o meu falo burguês e patriarcal, que sente necessidade de oprimir as mulheres livres do terceiro milênio tenha exercido alguma força bizarra e me impediu de postar. Não sei.

Não entendo isso. Sou um amante inveterado das mulheres: como homem, sou apaixonado pela criatura sutil e cheia de contradições que é a mulher. Sou fascinado pelas mulheres inteligentes, bem-resolvidas e bem-sucedidas. E concordo que a sociedade ainda é muito machista, que as mulheres ainda são oprimidas sexual, psicológica e socialmente. E acredito que o feminismo é uma luta justa, assim como a luta contra o racismo, contra a intolerância religiosa e sexual.

O que eu acho babaca é usar isso como ferramenta de auto-afirmação: ficar sentadinha no seu quarto, assistindo “The L World” só esperando uma oportunidade de sair gritando “O FALO DO PATRIARCADO BURGUÊS! O FALO DO PATRIARCADO BURGUÊS!“.

Como eu não canso de falar: o mundo é um lugar de merda e o ser humano, enquanto raça, está fadada ao fracasso e a escrotidão. Apesar de acreditar que indivíduos possam fugir dessa porcaria toda.

O que não entra na cabeça de certas pessoas é que o ser humano é bicho filho-da-puta mesmo, então quando um policial agride covardemente uma mulher, certas pessoas não vêem o óbvio: algumas acham que a culpa é do governador, enquanto outras preferem acreditar que é machismo e/ou preconceito racial ou a prova cabal de que a democracia é uma farsa.

O que eu sinto vontade de perguntar é: quando um policial agride um garoto branco, loiro e de classe média? É por qual motivo? As regras do patriarcado não se aplicam, nem a da discriminação racial.

A grande questão é que os problemas sérios existem e não vão sumir por que meninas¹ postam num blog que tem como banner um monte de xoxotinhas (isso tem um som Nelson Rodrigues, não tem?). Então talvez elas devessem dar um passo atrás e, de maçãs podres, se tornarem maçãs maduras e escolherem uma luta pra se engajar. Não é difícil, já que o mundo está cheio de problemas reais pra se resolver.

1-  Durante todo o texto eu usei a palavra “meninas” pra me referir às autoras do blog por que me recuso a acreditar que mulheres (e feministas) de verdade escreveriam daquele jeito.

2- Só falei isso por que o Patriarcado tá aqui do meu lado, balançando o falo, e eu tenho medo que ele bata com essa porcaria na minha cara.

24/01/2012 / Filipe Aguiar

A culpa é de quem?

Eduardo Campos

Geralmente essa é uma pergunta bem capciosa. Muitas vezes quando uma coisa dá errado, não existe nenhum envolvido que esteja certo ou que não tenha culpa. Mas algumas coisas são culturalmente erradas por si só, sendo muito fácil apontar o dedo e apontar culpados.

Na manhã do dia 20/01/2012, um protesto contra o aumento do valor das passagens de ônibus acabou em violência e bagunça generalizada. O que chamou atenção, entretanto, foi a violência desnecessária de um policial ao prender uma estudante, como pode ser visto no vídeo abaixo:

Viram a quantidade de fotógrafos presentes? Óbvio que essas imagens correriam soltas nas redes sociais :

Estudante Presa

Como não acho legal expôr a moça, borrei o rosto dela. Me processe

É o tipo de situação em que uma pessoa em posição de poder abusa gratuitamente de outra que está desempenhando um direito garantido constitucionalmente. E é óbvio que ele está errado. Meu primo de 7 anos sabe que ele tá errado. O seu cachorro também sabe. A lagartixa que se esconde lá no banheiro de casa também sabe.

E, para algumas pessoas, o óbvio serve como ferramenta de argumentação para provar coisas que não tem absolutamente nada a ver com premissa. Em lógica isso é conhecido por non sequitur: uma conclusão que não deriva de suas premissas.

Dito isto, que fique bem claro que, politicamente, a minha opinião não importa aqui. O que eu quero comentar não é, nem de longe, sobre política e sim sobre o comportamento humano. O fato de envolver uma figura política é apenas uma coincidência. Até por que esse blog não tem visibilidade nenhuma pra eu vir aqui fazer campanha pra fulano ou sicrano (por que siclano é coisa de Cebolinha).

Isso aqui, pra mim, não faz sentido nenhum:

Mas hein?

"Bicicletas tem duas rodas, então hipopótamos estão em extinção"

É óbvio que a violência exacerbada da polícia brasileira (e mundial, como podem ver) é um problema cultural, histórico e estrutural, e que está tão entranhado na sociedade que fica difícil definir os limites de quem é responsável pelo quê. Mas, alguém no facebook tem certeza de que a culpa é do governador de Pernambuco.

A imagem demonstra, além de um péssimo uso de sarcasmo, que o referido governador seria uma péssima escolha para o senado nas eleições de 2014, na opinião do sujeito. O que ele não responde é:

  1. Nos outros estados existe violência policial, já que o referido governador não tem influência?
  2. Existe violência nos outros estados, sendo os respectivos governadores responsáveis pela mesma?
  3. Em regimes onde não existe a figura do governador, quem é o responsável pela violência policial?
  4. Se o referido governador é responsável por essa atitude, quem é responsável pelos outros policiais presentes que não agiram de maneira violenta?
  5. Sendo a violência da polícia civil de responsabilidade do governador, a violência da polícia militar de quem é?
  6. Caso a violência seja responsabilidade apenas do citado governador, e este seja eleito senador, o que muda? A violência vira nacional?

Esse é um dos casos em que a necessidade de se mostrar politizado acaba saindo pela culatra e o sujeito acaba passando uma imagem de idiota, pelo menos pra mim. É muito complicado discutir sobre um assunto tão complexo quanto esse e simplificá-lo dessa maneira. Ainda mais com essa pobreza de argumentação.

E sabe o que é mais engraçado? Um monte de gente vai compartilhar isso, como que assinando embaixo. Enquanto eu, humildemente, escrevo pra caramba, tento argumentar da melhor maneira possível, busco as fontes mais confiáveis,  mas não consigo fazer nem meus amigos compartilharem essas besteiras que escrevo. É… As coisas são assim mesmo. Deve ser culpa do governador.

 

20/01/2012 / Filipe Aguiar

A contradição do povo brasileiro, ou “já fomos mais inteligentes?”

Carlos Nascimeme

Se tem uma coisa que o povo brasileiro é craque é em ter uma imagem errônea de si mesmo. Futebol? Já era, somos o 6º (ou 5º, não me importo) no ranking da FIFA.

Digo isso por que sempre que aparece um assunto novo as pessoas fazem questão de demonstrar sua opinião sem perceber que esta, muitas vezes, contradiz a própria ideia que o brasileiro faz questão de bradar aos quatro ventos.

Meses atrás, com o incidente envolvendo o Rafinha Bastos e a Wanessa Camargo o brasileiro demonstrou que não tem senso de humor nenhum e que usa da máxima “no dos outros é refresco” quando o assunto é piada. O brasileiro, do bom-humor, da malandragem, da piada de português, de loiras e de gays, não admite piada envolvendo coisa séria. E por coisa séria entenda “condenado pelo esquadrão politicamente-correto”.

Outra máxima brasileira é dizer, sempre que possível, “não sou melhor que ninguém”. Já repararam nisso? Brasileiro que é brasileiro tem obrigação de demonstrar humildade mesmo quando possui talento ou competência. No Brasil é errado incentivar quem é bom em alguma coisa. Se você é ótimo em alguma coisa, negue. Se não negar é arrogante. E arrogância não é coisa de brasileiro.

Apesar disso, brasileiro a-do-ra se achar melhor que os outros. Adora. A única diferença é que com o advento da internet e das redes sociais fica mais difícil esconder isso.

Eu, sinceramente, não sei o que aconteceu nesse começo de ano que a internet brasileira em peso resolveu discutir sobre si mesma. Seja sobre a propagação de memes, seja sobre o quanto as pessoas estão cansadas de ver Michel Teló ou por que diabos estão falando de Luiza.

Eu adoro discutir. Acho que é uma oportunidade fantástica de rever seu ponto de vista, avaliar seus argumentos, estudar a opinião do outro e, por que não, mudar de opinião se for o caso. E a discussão do dia tem essa cara aqui:

Carlos Nascimeme

#mimimi

Carlos Nascimento, ex Rede Glóbulo (sem copyright, vai que a #SOPA me pega) chamou a mim e, provavelmente, a você de idiota. Em rede nacional. Em horário nobre. Estando errado!

O comentário do Nascimento trouxe mais uma vez a oportunidade do brasileiro (que usa a internet) expressar sua indignação perante à sociedade decadente, à perda dos valores morais e intelectuais que assola o nosso país e… Vomitei…

Ptolomeu

O que o povo brasileiro pensa de si mesmo...

Eu não consigo imaginar a que período da história o Nascimento se referia. Seria uma referência à era de ouro da música brasileira, com clássicos como “vai ralando na boquinha da garrafa” e similares? Ou um pouco antes, quando o povo brasileiro elegeu o Collor pra presidente? Acredito que ele deveria ter sido mais específico.

Para cada “nossa, assim você me mata” existiu uma “macarena”, pra cada “menos Luiza, que está no Canadá” existiu um “não é brinquedo, não” perfeitamente solidificado pela TV aberta brasileira. Lima Duarte pode eternizar um “tô certo ou tô errado”, mas a internet não pode ter suas frases de efeito?

Ao contrário do jornalista, eu não acho que já fomos mais inteligentes. Acredito que sempre fomos babacas. É uma condição humana: “penso, logo sou babaca”. Faz parte do que faz a vida ser tão interessante.

Batista

O que o povo brasileiro realmente é

O que mais vejo no facebook é gente criticando quem gosta do BBB, dizendo que Michel Teló isso, que Luan Santana aquilo, que “bom era no meu tempo”. No teu tempo o quê, cara-pálida? Leandro e Leonardo? Wando? “Zorra total é uma porcaria, hoje não se faz mais humor como antigamente”, alô? A Praça é Nossa mandou lembranças.

Na verdade a internet polarizou demais as coisas: ou você é intelectual e só gosta do que é bom (coisa que alguém sabiamente escolheu pra você) ou você é “de dar pena”. Não há mais espaço para o gosto pessoal, para o direito de se gostar de uma coisa que você sabe que é ruim. Existe a necessidade de se mostrar superior automaticamente sem nem se pensar duas vezes a respeito. Fenômeno belamente explicado nesse texto, da Carta Capital.

Posto isso me declaro um completo idiota, fiz piadinha da Luiza com uma amiga que tem esse nome, achei graça de todas as piadinhas bestas que fizeram a respeito e agora vou rir de todas a que estiverem relacionadas ao Carlos Nascimeme.

Porque a internet é assim: não torna ninguém mais idiota do que já é, só deixa isso mais claro pra os outros.

20/01/2012 / Filipe Aguiar

Uma #SOPA servida antes da hora

Guy Fawkes

Enquanto a maioria dos brasileiros dorme, uma guerra começa. Uma guerra que foi evitada durante muito tempo, com batalhas isoladas e baixas de ambos os lados.

Antes de qualquer coisa, gostaria de fazer um breve resumo do que está acontecendo: os Estados Unidos da América (da verdadeira América, como eles gostam de pensar) querem dizer como o mundo deve usar a internet. O que você pode ou não ver, usar, fazer e ouvir num ambiente que mudou a maneira que você interage com o resto das pessoas e com a informação.

A proposta do SOPA (Stop Online Piracy Act) é bem simples: no caso de  algum site conter quaisquer materiais com copyright, o governo americano poderia processar judicialmente, bloquear o acesso ao site em todo o território americano e impedir que qualquer empresa negocie com o site em questão. Mesmo que o site não esteja nos Estados Unidos.

Hoje, o FBI tirou do ar o Megaupload do ar, um dos maiores sites de compartilhamento de arquivos existentes, pertencente a uma empresa de Hong Kong e prendeu o seu fundador e sete funcionários. Sim, o governo americano, prendendo pessoas em Hong Kong. Isso antes  da SOPA ser aprovada, coisa que provavelmente não será, uma vez que até o presidente Obama se posicionou contra a abrangência do projeto.

Mas essa atitude indica o caminho que a internet tomaria, no caso do projeto ser aprovado. É óbvio que muitas das megacorporações americanas estão a favor de tais ações por perderem rios dourados de dinheiro em pirataria online.

Guy Fawkes

Guy Fawkes, o cidadão da primeira imagem, é mais conhecido pela máscara baseada em seu rosto. Reconheceu agora?

O resultado disso foi uma enxurrada de ataques dos hackativistas do grupo Anonymous que, entre outros, acarretou na derrubada dos sites da Universal Music, do Departamento de Justiça dos Estados Unidos, da Motion Picture Association of America (MPAA) e do FBI no que se considera o maior ataque da história.

Entre outras coisas, o grupo afirma que a ação do governo americano infringe o direito inalienável do direito de livre expressão e do direito à privacidade.

Da minha parte, fico particularmente feliz por ver o início do que pode vir a ser uma revolução na maneira com que a internet chega até cada um de nós. Da mesma forma que vi o surgimento do formato mp3 e do Napster, que acarretou, anos depois, na criação do iTunes e da revolução da indústria musical que vemos hoje em dia.

Além da discussão sobre os direitos do indivíduo, considero válida também a discussão sobre a indústria do entretenimento, que muitos consideram (eu incluso) obsoleta. Empresas inovadoras, como a Apple com o seu iTunes e a Valve com o seu Steam, já provaram que o povo está disposto a pagar por um serviço de qualidade. Em entrevista, Gabe Newell , da Valve,  cita o caso da Rússia como exemplo: conhecida pela força da pirataria de jogos, hoje representa um dos maiores mercados consumidores do Steam.

Portanto fica claro que soluções existem e já foram provadas no campo de batalha. Quem vai sair vitorioso dessa guerra, as empresas ou a força anônima da internet, ninguém sabe. Mas fica claro que ambos os lados estão dispostos a lutar com todas as forças. Mas de uma coisa eu tenho certeza: se a guerra continuar, as coisas nunca mais serão as mesmas. Para o bem ou para o mal.

Por que hoje um general tombou. E a guerra começou.

We Are Anonimous

Por que você pode matar um homem, mas não pode matar uma ideia

10/01/2012 / Filipe Aguiar

Sobre PMs e bobos

Depois da bagunça causa pela presença da PM na usp, e da baderna causada pelos alunos, achei que a poeira tinha baixado e ia demorar um pouco pra acontecer algo do gênero.
Aí me aparece esse vídeo:

E aí a internet fica em polvorosa. É impressionante como sempre existe um assunto polêmico na internet, seja pra ser discutido no twitter ou compartilhado no facebook. E sempre tem o Capitão Óbvio, querendo mostrar sua superioridade política e filosófica, e comentando superficialmente sobre o assunto. Nesse caso, em específico, todo mundo tá descendo a lenha no policial, distribuindo acusações óbvias como “abuso de poder”, “racismo” e o escambau.

Sério? Sério que o policial abusou do poder investido nele? E é só isso que você tem pra falar a respeito?

Tudo começou quando o PM pediu pra ver a carteira de estudante do cidadão, que prontamente recusou-se e afirmou que sua palavra bastava. Rapaz, se um cara armado me pede pra ver minha carteira de estudante, eu mostro na hora. Mostro a identidade, mostro a carteira de motorista, CPF, título de eleitor, cartão da biblioteca. Eu vou até em casa com ele pra mostrar a minha certidão de nascimento. Mas não, eu não vou argumentar sobre direitos humanos com ele. Talvez seja só eu que goste de manter minha integridade física.

E se você está se perguntando “e se ele não estivesse com a carteira de estudante?”: ele estava. Não mostrou como forma de protesto sei lá contra o que. Ele faz questão de mostrar para a câmera em outro vídeo que a Folha postou.

Como o Izzy Nobre bem falou: curiosamente, eu jamais fui atacado pela polícia enquanto estava no trabalho. Jamais. Nem uma vez sequer. Ontem mesmo eu passei oito horas lá no trabalho e vocês nem acreditam na quantidade de policiais que não estava lá me espancando.

É esse o centro de toda a questão aqui. É muito fácil atribuir uma culpa quando esta é escancarada dessa forma. E é muito cômodo também. Você fala que o cara tá errado e se sente ultrajado por viver num país assim. Aí você senta com seus amigos no barzinho de costume e conversa sobre a brutalidade da polícia brasileira.

Mas, inconscientemente você esquece de citar outros fatos importantes ao caso. Você esquece que o prédio em que o estudante se encontrava estava abandonado e que havia sido invadido na semana anterior, que o estudante em questão estava acampando dentro do tal prédio, que a USP está em período de férias. E o mais importante: esquece que a culpa de um não exclui a culpa do outro.

E um evento como esse torna claro coisas que ninguém discute: que a polícia brasileira é mal preparada, que recebe mal, que as instituições de ensino estão largadas às traças. Mas é muito mais fácil apontar a culpa do policial truculento do que argumentar que esse tipo de comportamento é um  resquício da ditadura (opinião da qual eu discordo, mas que vale pela argumentação).

Nada é preto no branco, nada é tão maniqueísta assim. Nem sempre existe um lado certo, pelo menos não totalmente. Essa postura de dar opinião sem sequer pensar a respeito é rasa e extremamente prejudicial, varrendo vários outros problemas maiores para debaixo do tapete da sociedade. Além de não crescer como pessoa, você faz papel de bobo.

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