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20/01/2012 / Filipe Aguiar

Uma #SOPA servida antes da hora

Guy Fawkes

Enquanto a maioria dos brasileiros dorme, uma guerra começa. Uma guerra que foi evitada durante muito tempo, com batalhas isoladas e baixas de ambos os lados.

Antes de qualquer coisa, gostaria de fazer um breve resumo do que está acontecendo: os Estados Unidos da América (da verdadeira América, como eles gostam de pensar) querem dizer como o mundo deve usar a internet. O que você pode ou não ver, usar, fazer e ouvir num ambiente que mudou a maneira que você interage com o resto das pessoas e com a informação.

A proposta do SOPA (Stop Online Piracy Act) é bem simples: no caso de  algum site conter quaisquer materiais com copyright, o governo americano poderia processar judicialmente, bloquear o acesso ao site em todo o território americano e impedir que qualquer empresa negocie com o site em questão. Mesmo que o site não esteja nos Estados Unidos.

Hoje, o FBI tirou do ar o Megaupload do ar, um dos maiores sites de compartilhamento de arquivos existentes, pertencente a uma empresa de Hong Kong e prendeu o seu fundador e sete funcionários. Sim, o governo americano, prendendo pessoas em Hong Kong. Isso antes  da SOPA ser aprovada, coisa que provavelmente não será, uma vez que até o presidente Obama se posicionou contra a abrangência do projeto.

Mas essa atitude indica o caminho que a internet tomaria, no caso do projeto ser aprovado. É óbvio que muitas das megacorporações americanas estão a favor de tais ações por perderem rios dourados de dinheiro em pirataria online.

Guy Fawkes

Guy Fawkes, o cidadão da primeira imagem, é mais conhecido pela máscara baseada em seu rosto. Reconheceu agora?

O resultado disso foi uma enxurrada de ataques dos hackativistas do grupo Anonymous que, entre outros, acarretou na derrubada dos sites da Universal Music, do Departamento de Justiça dos Estados Unidos, da Motion Picture Association of America (MPAA) e do FBI no que se considera o maior ataque da história.

Entre outras coisas, o grupo afirma que a ação do governo americano infringe o direito inalienável do direito de livre expressão e do direito à privacidade.

Da minha parte, fico particularmente feliz por ver o início do que pode vir a ser uma revolução na maneira com que a internet chega até cada um de nós. Da mesma forma que vi o surgimento do formato mp3 e do Napster, que acarretou, anos depois, na criação do iTunes e da revolução da indústria musical que vemos hoje em dia.

Além da discussão sobre os direitos do indivíduo, considero válida também a discussão sobre a indústria do entretenimento, que muitos consideram (eu incluso) obsoleta. Empresas inovadoras, como a Apple com o seu iTunes e a Valve com o seu Steam, já provaram que o povo está disposto a pagar por um serviço de qualidade. Em entrevista, Gabe Newell , da Valve,  cita o caso da Rússia como exemplo: conhecida pela força da pirataria de jogos, hoje representa um dos maiores mercados consumidores do Steam.

Portanto fica claro que soluções existem e já foram provadas no campo de batalha. Quem vai sair vitorioso dessa guerra, as empresas ou a força anônima da internet, ninguém sabe. Mas fica claro que ambos os lados estão dispostos a lutar com todas as forças. Mas de uma coisa eu tenho certeza: se a guerra continuar, as coisas nunca mais serão as mesmas. Para o bem ou para o mal.

Por que hoje um general tombou. E a guerra começou.

We Are Anonimous

Por que você pode matar um homem, mas não pode matar uma ideia

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