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25/01/2012 / Filipe Aguiar

“Estudante negra, lésbica, judia, deficiente física e portadora de síndrome de down é estrangulada, esfaqueada, estuprada e exorcizada por policial homofóbico, feio, bobo e chato”

A Torre de Cristal

Achei que não ia conseguir terminar de escrever o título do post. Acho, inclusive, que é bem capaz dele ficar maior que o texto em si. O assunto ainda está relacionado com a confusão que rolou no protesto dessa semana. E bem relacionado com o post de ontem. E relacionado também com o “falo da sociedade patriarcal”, esta anaconda giratória opressora e maléfica que é responsável por todos os males do mundo moderno. Acho que até é culpada pelo governador, quem sabe?

Ontem li este texto e senti um misto de incredulidade e diversão. Sinceramente não sei dizer qual das duas sensações prevaleceu, mas posso afirmar com toda a certeza que eu ri demais. Se você ainda não leu o referido texto, leia. Vale a pena, eu espero…

Pronto?

Como homem, eu achei muito engraçado a postura femi-nazi da(s) meninas¹ por trás do site. Se eu fosse mulher eu ficaria envergonhada: tanta luta por igualdade de direitos, tantos sutiãs queimados pra a gente chegar no terceiro milênio e um bando de meninas¹ com um problema sério de inveja do pênis (Freud explica) sair atirando pra todos os lados, num grito de auto-afirmação desnecessário.

Denominado “Maçãs podres, grupo revolucionário de intervenção feminista” o grupo de meninas¹ não se contenta apenas em “defender a causa feminista” como também “lutam” contra o racismo e a homofobia. Ah, e a favor do aborto. Mas o que fica mais claro no repertório textual orbita em volta do ódio ao sexo masculino, com palavras como “patriarcado” e “falo” aparecendo quase que em todo texto.

Battle Angel Alita - Last Order

Eis uma representação do patriarcado

O texto, no entanto, me deixou com algumas dúvidas que não consegui sanar, já que tentei deixar um comentário lá e não consegui. Talvez o meu falo burguês e patriarcal, que sente necessidade de oprimir as mulheres livres do terceiro milênio tenha exercido alguma força bizarra e me impediu de postar. Não sei.

Não entendo isso. Sou um amante inveterado das mulheres: como homem, sou apaixonado pela criatura sutil e cheia de contradições que é a mulher. Sou fascinado pelas mulheres inteligentes, bem-resolvidas e bem-sucedidas. E concordo que a sociedade ainda é muito machista, que as mulheres ainda são oprimidas sexual, psicológica e socialmente. E acredito que o feminismo é uma luta justa, assim como a luta contra o racismo, contra a intolerância religiosa e sexual.

O que eu acho babaca é usar isso como ferramenta de auto-afirmação: ficar sentadinha no seu quarto, assistindo “The L World” só esperando uma oportunidade de sair gritando “O FALO DO PATRIARCADO BURGUÊS! O FALO DO PATRIARCADO BURGUÊS!“.

Como eu não canso de falar: o mundo é um lugar de merda e o ser humano, enquanto raça, está fadada ao fracasso e a escrotidão. Apesar de acreditar que indivíduos possam fugir dessa porcaria toda.

O que não entra na cabeça de certas pessoas é que o ser humano é bicho filho-da-puta mesmo, então quando um policial agride covardemente uma mulher, certas pessoas não vêem o óbvio: algumas acham que a culpa é do governador, enquanto outras preferem acreditar que é machismo e/ou preconceito racial ou a prova cabal de que a democracia é uma farsa.

O que eu sinto vontade de perguntar é: quando um policial agride um garoto branco, loiro e de classe média? É por qual motivo? As regras do patriarcado não se aplicam, nem a da discriminação racial.

A grande questão é que os problemas sérios existem e não vão sumir por que meninas¹ postam num blog que tem como banner um monte de xoxotinhas (isso tem um som Nelson Rodrigues, não tem?). Então talvez elas devessem dar um passo atrás e, de maçãs podres, se tornarem maçãs maduras e escolherem uma luta pra se engajar. Não é difícil, já que o mundo está cheio de problemas reais pra se resolver.

1-  Durante todo o texto eu usei a palavra “meninas” pra me referir às autoras do blog por que me recuso a acreditar que mulheres (e feministas) de verdade escreveriam daquele jeito.

2- Só falei isso por que o Patriarcado tá aqui do meu lado, balançando o falo, e eu tenho medo que ele bata com essa porcaria na minha cara.

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